terça-feira, 7 de setembro de 2010

Na Casa do Oleiro, sobre a roda [PARTE 1]

"Esta é a palavra que veio a Jeremias da parte do Senhor:
'Vá à casa do oleiro, e ali você ouvirá a minha mensagem'.
Então fui à casa do oleiro, e o vi trabalhando com a roda. Mas o vaso de barro que estava formando se estragou-se em suas mãos; e ele o refez, moldando outro vaso de acordo com a sua vontade."
(Jeremias 18.1-4)

Tenho lido esta passagem por várias vezes consecutivas, nestes últimos dias. E cada dia que passa, ela soa mais forte no meu coração.

Nós cantamos e até choramos, dizendo: "eu quero ser, Senhor amado, como um vaso nas mãos do oleiro. Quebra minha vida e faze-a de novo..." e neste ponto eu abro um parêntesis, porque muitos se detêm apenas nesta parte. Ver Deus refazer a sua vida, transformá-la, é o desejo de todo mundo! Mas, para que Deus refaça sua vida, é necessário se render ao trabalho do oleiro!

Se render ao trabalho do oleiro, implica muitas coisas:

Primeiro, ele precisa limpar o barro das impurezas que estão entranhadas, às vezes bem escondidas... mas o processo de limpeza expõe a sujeira, torna-a visível! Quando Isaías foi consagrado pelo Senhor (cap. 6), ele viu o Senhor assentado num alto e sublime trono, e a visão que ele teve da glória de Deus, expôs a sua própria iniquidade. Ele reconhece isso, dizendo: "Ai de mim, que vou perecendo! porque eu sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios..." (v.5) O Oleiro precisa limpar o barro; e nada, absolutamente nada está oculto aos Seus olhos. Diante dele, tudo em nós se revela!

Depois de limpar o barro, o Oleiro precisa amassá-lo. Os golpes e apertos são necessários para tornar a massa uniforme e maleável. O que é profundamente doloroso e desconfortável para você tem o objetivo de torná-lo apto a ser moldado, conforme a vontade do Oleiro. E Paulo, com muita propriedade, escreve pela segunda vez aos cristãos de Corinto, confortando-os a respeito deste processo, quando ele diz: "porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um eterno peso de glória mui excelente" (4.17).

Agora, em condições de ser moldado, o barro passa pelo processo de modelagem. O oleiro constrói o vaso segundo o que bem lhe parecer, de acordo com o propósito para o qual designou o vaso. Vasos são feitos com propósito. Um oleiro jamais faz um vaso inútil, para que fique recostado em um canto, acumulando poeira e teias de aranha. O propósito do oleiro é que haja utilidade para o vaso - por mais simples que seja. A forma e a utilidade do vaso são determinadas pelo Oleiro. "Por que se queixa ele ainda? Porquanto, quem resiste à sua vontade? Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?" (Rm 9.19-21)

Trazendo para nossa aplicação pessoal...

Se somos barro nas mãos de Deus, que é o oleiro, cabe a nós rendermo-nos ao seu trabalhar. Como cantamos com a boca "eu quero ser como um vaso nas mãos do oleiro", se não nos submetemos ao oleiro, se não nos rendemos em suas mãos?

E quantas vezes, questionamos e contendemos com Deus...
"Por que eu sou assim?"
"Por que eu tenho que passar por isso?"
"Por que eu tenho que mudar minha forma de ser?"
"Por que minhas imperfeições foram expostas assim?"
"Por que não termina logo essa obra e me usa?
"Por que eu tenho que receber esse banho de água fria, justo no momento mais doloroso?"
"Por que eu não posso ter a forma daquele outro vaso?"
Por que isso; por que aquilo... e vamos nos perdendo nos porquês. E enquanto perguntamos o porquê das coisas, retardamos ainda mais o processo de modelagem, pois nossos questionamentos revelam que ainda não estamos maleáveis nas mãos do oleiro; que estamos resistentes ao seu modo de trabalhar.

Eu convido você a juntar-se a mim, e nos rendermos completamente nas mãos do nosso oleiro. Ele tem um propósito! Não é em vão. Tudo que ele faz é perfeito, e vale a pena esperar o resultado desta obra! Vamos cantar juntos "quebra minha vida, e faze-a de novo... eu quero ser, eu quero ser um vaso novo!


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